O
Movimento PUNK e a quebra do conformismo
Neste artigo ouso tecer alguns comentários sobre a cultura Punk, não pretendendo de forma alguma esgotar o assunto, mas modestamente levantar um tema interessante através de um ponto de vista mais ético e de importante transformação social que é.
Através da leitura do texto
intitulado “Ética e subjetivação no pensamento punk”[1], por
exemplo, pode-se ter um panorama filosófico e existencialista, de transformação
consciente e questionadora.
O movimento Punk, a partir da
década de 1970 ganhou repercussão mundial, demonstrando através da busca por
novas maneiras de construir-se a si mesmo ética e
esteticamente uma forma de resistência à autoridade externa.
Ou seja, através desta “contra cultura”, negavam-se os modelos então
vigentes, pela observação da função do indivíduo e seu relacionamento com a
própria existência, e as experiências inatas e as sociais, estas últimas
adquiridas com o convívio social, desconstruindo assim os valores universais
fixos e tidos como “imexíveis”.
A cultura Punk busca questionar a mesmice através de atitudes que se
contrapõem à autoridade externa que se opõem ao indivíduo. Simplesmente, não se
aceita mais imposições sem o devido questionamento e relativização do fato.
Portanto, por estar em constante movimento e autotransformação, com
senso crítico preponderante, resistem ao sistema através de ação própria, na produção
dos chamados “Fanzines” que são as publicações politizadas e críticas; bem como
ferem os ditos padrões de beleza através da estética própria além da música
rápida, agressiva e com letras de cunho social, que abordam suas realidades
cotidianas, sempre com o aspecto crítico e politizado.
Na música, mais especificamente, tida pela mídia de massa como produto
“underground”, acaba demonstrando, através de acordes simples mas furiosos esta
tendência a resistência e a transformação do indivíduo e da sociedade,
afrontando o comodismo e a hierarquia.
Hoje em dia, a raiz do Movimento Punk acabou por se subdividir em
outros movimentos, as vezes nem tão simpatizantes entre si, apesar do espírito
contestador e afrontador ser o mesmo, tal qual os Punk, Anarcopunks, Skinheads
e demais movimentos que foram surgindo com o passar dos tempos, e alguns se
desvirtuando.
Portanto, o lema “faça você mesmo” vem a definir de maneira direta um
estilo e uma ética próprios, questionando os pretensos valores universais da
sociedade. O olhar sobre o cotidiano com personalidade própria e coragem de
enfrentar e confrontar o sistema, fugindo da manipulação massificada da
informação com liberdade e consciência.
Enfim, ser Punk é mais que “ser diferente”, é fazer a diferença, é mais
que simples barulho, é cuspir a realidade e encarar a passividade, é quebrar
paradigmas em busca de libertar o presente de reminiscências que não fazem mais
sentido.
Nefhar Borck - Advogado,Guitarrista Frustrado e Headbanger com orgulho!
[1]
Everton Moraes -
http://www.oestrangeiro.net/michel-foucault/91-etica-e-subjetivacao-no-pensamento-punk

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